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terça-feira, 19 de junho de 2012

**DISLEXIA**


Dislexia é uma específica dificuldade de aprendizado da Linguagem: em Leitura, Soletração, Escrita, em Linguagem Expressiva ou Receptiva. Não tem como causa falta de interesse, de motivação, de esforço ou de vontade, como nada tem a ver com acuidade visual ou auditiva como causa primária. Dificuldades no aprendizado da leitura, em diferentes graus, é característica evidenciada em cerca de 80% dos disléxicos. Acomete mais o sexo masculino que o feminino. E comum essas crianças ser chamadas de preguiçosas, demente, não sabe de nada ou até mesmo de burras. A criança disléxica sofre muito, por não acompanhar seus colegas e isso pode causar danos, entre esses, a falta de confiança que pode acompanhar por toda a vida.

   Para entender essas crianças s, podemos destacar alguns pontos:


A) Uma falha no sistema nervoso central em sua habilidade para organizar os grafemas, isto é, as
Letras ou decodificar os fonemas, ou seja, as unidades sonoras distintivas no âmbito da palavra.
B) O impedimento cerebral relacionado com a capacidade de visualização das palavras.
C) Diferenças entre os hemisférios e alteração (displasias e ectopias) do lado direito do cérebro. Isso
Implica, entre outras coisas, uma dominância da lateralidade invertida ou indefinida. Mas também
Justifica o desenvolvimento maior da intuição, da criatividade, da aptidão para as artes, do raciocínio
Mais holístico, de serem mais subjetivos e todas as outras qualidades características do hemisfério
Direito.
D) Inadequado processamento auditivo (consciência fonológica) da informação lingüística.
E) Implicações relação afetiva materno-filial, o que pode entravar a necessidade da linguagem, e
Mais tarde a aprendizagem da leitura e escrita.

 Sinais encontrados em disléxicos:

__Fraco desenvolvimento da atenção.
__Falta de capacidade para brincar com outras crianças.
__Atraso no desenvolvimento da fala e escrita.
__Atraso no desenvolvimento visual.
__Falta de coordenação motora.
__Dificuldade em aprender rimas/canções.
__Falta de interesse em livros impressos.
__Dificuldade em acompanhar histórias.
__Dificuldade com a memória imediata organização geral.

 
Dificuldades encontradas em crianças disléxicas:

__Dificuldade para ler orações e palavras simples.
__A pronúncia ou a soletração de palavras monossilábicas é uma dificuldade evidente nos
Disléxicos.
__As crianças ou adultos disléxicos invertem as palavras de maneira total ou parcial, por
__Invertem as letras ou números, por exemplo: /p/ por /b/, /d/ por/ b /3/ por /5/ ou /8/, /6/ por
/9/ especialmente quando na escrita minúscula ou em textos manuscritos escolares. Assim, é
Patente a confusão de letras de simetria oposta.
__A ortografia é alterada, podendo estar ligada a chamada CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA
__Copiam de forma errada as palavras, mesmo observando na lousa ou no livro como são
Escritas. Em geral, as professoras ficam desesperadas: “como podem - pensam e reclamam -
Ela está vendo a forma correta e escreve exatamente o contrário?”“. Ora, o processamento da
Informação léxica, que é de ordem cerebral, está invertida ou simplesmente deficiente.
__As crianças disléxicas conhecem o texto ou a escrita, mas usam outras palavras, de maneira
Involuntária. Trocam as palavras quando lêem ou escrevem, por exemplo: “gato” por “casa”.
__Têm as crianças disléxicas dificuldades em distinguir a esquerda e a direita.
__Alteração na seqüência das letras que formam as sílabas e as palavras.
__Confusão de palavras parecidas ou opostas em seu significado. Os homônimos, isto é,
Palavras semelhantes (seção, cessão e seção) é uma dificuldade nas crianças disléxicas.
__Os erros na separação das palavras.
Marina S. Rodrigues Almeida quatro
__Os disléxicos sofrem com a falta de rapidez ao ler. A leitura é sem modulação e sem ritmo.
Os disléxicos, às vezes, com muito sacrifício, decodificam as palavras, mas não conseguem
Ter compreensão.
__Os disléxicos têm falha na construção gramatical, especialmente na elaboração de orações
Complexas (coordenadas e subordinadas) na hora da redação espontânea.

Tipos de Dislexia

__DISLEXIA ACÚSTICA: manifesta-se na insuficiência para a diferenciação acústica (sonora
(Ou fonética) dos fonemas e na análise e síntese dos mesmos, ocorrendo omissões, distorções,
Transposições ou substituições de fonemas. Confundem-se os fonemas por sua semelhança
Articulatória.
__DISLEXIA VISUAL: Ocorre quando há imprecisão de coordenação viso-especial
Manifestando-se na confusão de letras com semelhança gráfica. Não temos dúvida que o
Primeiro procedimento dos pais e educadores é levar a criança a um médico oftalmologista.
__DISLEXIA MOTRIZ: evidencia-se na dificuldade para o movimento ocular. Há uma nítida
Limitação do campo visual que provoca retrocessos e principalmente intervalos mudos ao ler.

__Alterações de grafia como "a", "e-d", "h-n" e "e-d", por exemplo.
__As crianças disléxicas apresentam uma caligrafia muito defeituosa, verificando-se
Irregularidade do desenho das letras, denotando, assim, perda de concentração e de fluidez de
Raciocínio.
__As crianças disléxicas, ainda segundo o professor, apresentam confusão com letras com
Grafia similar, mas com diferente orientação no espaço como “b-d". "d-p", "b-q", "d-b", "dp",
"d-q", "n-u" e "a-e". Ocorre também com os números 6;9;1;7;3;5, etc.
__Apresenta dificuldade em realizar cálculos por se atrapalhar com a grafia numérica ou não
Compreende a situação problema a ser resolvida.
__Confusões com os sinais (+) adição e (x) multiplicação.
__A dificuldade pode ser ainda para letras que possuem um ponto de articulação comum e cujos
Sons são acusticamente próximos: "d-t" e "c-q", por exemplo.
__Na lista de dificuldades dos disléxicos, para o diagnóstico precoce dos distúrbios de letras,
Chamamos a atenção de educadores, e pais para as inversões de sílabas ou palavras como
"sol-los", "som-mos" bem como a adição ou omissão de sons como "casa-casaco", repetição
de sílabas, salto de linhas e soletração defeituosa de palavras.

 Ajuda aos Disléxicos

Uso freqüente de material concreto:
__Relógio digital.
__Calculadora.
__Gravador.
__Confecção do próprio material para alfabetização, como desenhar, montar uma cartilha.
__Uso de gravuras, fotografias. (a imagem é essencial para sua aprendizagem).
__Material Curisineire / Material Dourado.
__Folhas quadriculadas para matemática.
__Máscara para leitura de texto.
__Letras com várias texturas.
__Evitar dizer que ela é lenta, preguiçosa ou compará-la aos outros alunos da classe .
__Ela não deve ser forçada a ler em voz alta em classe a menos que demonstre desejo em fazêlo.
__Suas habilidades devem ser julgadas mais em sua respostas orais do que nas escritas.
Marina S. Rodrigues Almeida 6
__Sempre que possível , a criança deve ser encorajada a repetir o que foi lhe dito para fazer, isto
inclui mensagens. Sua própria voz é de muita ajuda para melhorar a memória.
__Revisões devem ser freqüentes e importantes
__Copiar do quadro é sempre um problema, tente evitar isso, ou dê-lhe mais tempo para fazê-lo.
__Demonstre paciência, compreensão e amizade durante todo o tempo, principalmente quando
Você estiver ensinando a alunos que possam ser considerados disléxicos.
__Ensine-a quando for ler palavras longas, a separá-las com uma linha a lápis.
__Dê-lhes menos dever de casa e avalie a necessidade e aproveitamento desta tarefa
__Não risque de vermelho seus erros ou coloque lembretes tipo: estude! Precisa estudar mais!
Precisa melhorar!
__Procure não dar suas notas em voz alta para toda classe, isso a humilha e a faz infeliz.
__Não a force a modificar sua escrita, ela sempre acha sua letra horrível e não gosta de vê-la no
Papel. A modulação da caligrafia é um processo longo.
__Procure não reforçar sentimentos que minimizam sua auto-estima.
__Dê-lhes um tempo maior para realizar as avaliações escritas. Uma tarefa em que a criança
Não-disléxica leva 20 minutos para realizar, a disléxica pode levar duas horas.
__Usar sempre uma linguagem clara e simples nas avaliações orais e principalmente nas
Escritas.
__Uma língua estrangeira é muito difícil para eles, faça suas avaliações sempre em termos de
Trabalhos e pesquisas.
AJUDAR A MELHORAR A AUTO-ESTIMA. Ofereça
Segurança, carinho, compreensão e elogie seus pequenos acertos.
__Procurar ajuda profissional para realizar um diagnóstico correto: Fonoaudiólogo,
Psicólogo, Neurologista ou Psicopedagogo.
__Explique que suas dificuldades têm um nome: DISLEXIA e que você vai ajudá-lo a superálas,
mas que ele é o principal agente desta mudança.
__Encoraje-o e encontre coisas em que se saia bem, estimulando-o nessas coisas.
__Elogie por seus esforços, lembre-se como ele tem de esforçar-se muito para ter algum sucesso
na leitura e na escrita.
__Ajude-o nos seus trabalhos escolares, ou, em algumas lições em especial, com paciência (mas
não escreva para ele, ou resolva suas tarefas de matemática).
__Ajude-o a ser organizado.

 BIBLIOGRAFIA

 Marina S. Rodrigues Almeida
PSICÓLOGA, PEDAGOGA E PSICOPEDAGOGA
Consultora Educacional

 DISLEXIA EM QUESTÃO
J. AJURIAGUERRA
ED. ARTES MÉDICAS
DISLEXIA-MANUAL DE LEITURA CORRETIVA
MABEL CONDEMARIN
ED. ARTES MÉDICAS

 Atividades que  podem contribuir para diagnosticar disléxicos:





segunda-feira, 18 de junho de 2012

**Artigo Jorge Visca**


 
 
 
 

OS CAMINHOS DA
PSICOPEDAGOGIA NO
TERCEIRO MILÊNIO
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Os estudos futuros necessariamente facilitarão a distinção do objeto de estudo da psicopedagogia dos objetos de estudo da psicologia e da pedagogia; e ao mesmo tempo a complementaridade destas três áreas do conhecimento
 
INTRODUÇÃO
Ao escrever sobre o tema "Os caminhos da psicopedagogia no terceiro milênio" vivenciei um duplo dasafio: o de pensar o que deveria acontecer no campo psicopedagógico nos anos vindouros, para o qual se faz necessário efetuar previamente um balanço do que foi feito até agora neste domínio do conhecimento, de forma tal que o referido balanço traga uma visão de conjunto e o de permitir realizar uma previsão para depois do ano 2000.
Por isso, esta exposição foi organizada em duas partes: a primeira implica uma visão retrospectiva que denomino "O balanço" e a segunda, que pretende ser uma reflexão sobre o futuro, que chamo "Os caminhos".
No meu entender, a análise do passado, pode ser realizada segundo três grandes dimensões: a teórica, a técnica e a institucional, enquanto que o projeto para o futuro está constituído por um conjunto de idéias que podem formar um programa de revisão de conceitos e técnicas já estabelecidos como assim também a construção de novos conceitos e novas técnicas.
O BALANÇO
Cabe assinalar que embora estes três domínios, o teórico, o técnico e o institucional, venham a ser comentados separadamente em função de tentar ser o mais claro possível, a realidade é que os três se desenvolvem simultaneamente, realimentando-se de forma recíproca.
A revisão da evolução teórica permite determinar distintos momentos. Um anterior à constituição do modelo em que se baseia a Instituição que nos convida para a comemoração do seu aniversário e outro momento em que se desenvolve a Epistemologia Convergente, sobre o qual me centrarei mais precisamente sem ignorar que também se desenvolveram outras linhas.
Anterior a Epistemologia Convergente é possível reconhecer:
Um período pré-científico que vai aproximadamente até o século XVIII onde não existia um claro conceito de aprendizagem e de dificuldades de aprendizagem, visto que as mesmas eram tidas como doença mental, que por sua vez era explicada por uma concepção demonológica: vale dizer sobrenatural.
O período seguinte, que vai até finais do século XIX e começo do século XX, é uma etapa de transição entre as explicações pré-científicas e as científicas. Neste período, Itard por um lado e Pinel por outro propuseram respectivamente uma explicação ambiental e outra biológica para a parada do desenvolvimento, apresentado pelo "menino selvagem" de Aveyron. Ambos determinismos - o ambiental e o biológico - respondem a concepções naturais da doença.
A etapa posterior começa com o nascimento de um sem número de escolas psicológicas contemporâneas: o estruturalismo de Wundt e Titchner; a psicanálise de Freud; o funcionalismo de Dewey e Woodwort; a reflexologia de Pavlov; a Gestalt de Wertheimer, Koehler e Koffka; a topologia de Lewin; o behaviorismo de Watson e os subprodutos psicológicos da escola piagetiana. Todas estas escolas consideravam que "sua causa" - o inconsciente, o estímulo, a estrutura, etc. - era a causa única e suficiente.
O último período inicia-se aproximadamente durante a década de 30, e pode ser chamado de período de integração de idéias, assim chamado, o mesmo se caracteriza desta forma porque alguns cientistas abandonam suas posições irredutíveis e mergulham no conhecimento de outros, o que permite a tomada de consciência das limitações, das descrições e explicações das distintas correntes, com a qual se gera um movimento integracionista.
A Argentina e mais precisamente a cidade de Buenos Aires, foi um lugar privilegiado tanto para o desenvolvimento da integração de teorias como da psicopedagogia.
Três fatos, embora lamentáveis contribuíram para o desenvolvimento da psicopedagogia na Argentina: a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial e a repressão militar.
A Guerra Civil Espanhola ocorrida na década de 30, motivou a emigração de um grande número de intelectuais: entre os quais cabe mencionar José Ortega y Gasset o qual residiu, durante sua peregrinação, entre outros lugares, em meu país, trouxe consigo sua visão humanística com a qual sensibilizou os círculos mais renomados, produzindo uma renovação de conceitos e métodos intelectuais que prepararam terreno para o passo seguinte: as conseqüências intelectuais da segunda guerra mundial.
A luta armada que aconteceu entre os anos 40 e 45 fez com que um número significativo de psicanalistas europeus, buscassem na América do Sul um novo lar; o que beneficiou novamente a Argentina ao difundir entre nós suas práticas e conhecimentos. Pouco tempo depois começou a se conhecer a teoria piagetiana, produzindo-se uma significativa oposição entre os seguidores de ambas as escolas.
As décadas de 70 e 80 foram testemunhas da mais crua repressão e intimidação que sofrera a Argentina. É importante lembrar que desapareceram 30.000 pessoas das quais 4.400 foram jogadas vivas no mar. Isto produziu simultaneamente uma dispersão e enclausuramento de intelectuais, em particular de todos aqueles cuja profissão começava com "psi": psiquiatria, psicologia, psicopedagogia, etc.
Enquanto os colegas que emigraram, se saciaram de outras fontes, ao mesmo tempo que levaram seus conhecimentos a inúmeros lugares, aqueles que ficaram enclausurados, se dedicaram à reflexão, à investigação clínica e à produção de escritos. Entre estes últimos se encontra quem lhes fala, o que elaborou um paradigma denominado Epistemologia Convergente: o qual consiste na assimilação recíproca de contribuições da Psicanálise, da Escola Piagetiana e da Psicologia Social.
A revisão da dimensão técnica permite lembrar dentro desta linha, a elaboração de instrumentos conceituais, recursos diagnósticos, assistenciais e preventivos, individuais e grupais.
Entre os instrumentos conceituais que se elaboraram, cabe mencionar: o esquema evolutivo da aprendizagem, o processo diagnóstico, a matriz do pensamento diagnóstico individual, o quadro nosográfico das dificuldades de aprendizagem e os critérios de seleção para a inclusão em grupo de tratamento psicopedagógico. Por outro lado, quanto aos instrumentos concretos se encontram, entre outros: a entrevista operativa centrada na aprendizagem, as técnicas projetivas psicopedagógicas, a caixa de trabalho individual, a caixa de trabalho grupal e os recursos diagnósticos e terapêuticos, individuais e grupais.
É importante mencionar que, além dos trabalhos com as unidades de análise indivíduo e grupo, começaram as primeiras tentativas de sistematizar conceitual e tecnicamente outras duas unidades de análise: a instituição e a comunidade. Aproximadamente até 1996, eu acreditava que a psicopedagogia possuía somente duas unidades de análise: o indivíduo e o grupo, ambas como unidades funcionais ou seja que o grupo apesar de possuir heterogeneidade estrutural - por seus diferentes integrantes - tinha homogeneidade funcional e aprendia como um todo, não como uma soma de indivíduos.
Algumas circunstâncias me colocaram frente a trabalhos com outras duas unidades: a instituição e a comunidade. Trabalhos que me permitiram realizar aproximações preliminares sobre as mesmas. O trabalho de nível institucional consistiu no Estudo da Universidade de Buenos Aires, a pedido da Reitoria desta Alta Casa de Estudos e os trabalhos a nível comunitário foram realizados - na Argentina - para o Estado de Neuquen, cujo governo desejava desencadear o processo de industrialização - e no Brasil - na Prefeitura de Santo André, cuja Secretaria de Cultura, Educação e Desporto queria estudar os mecanismos de aprendizagem da comunidade desfavorecida que não se sentia - entre outras coisas - com direito a usar os lugares públicos. A população pertencia às favelas e por um obsatáculo emocional não se sentia com direito a usar praças, passeios, etc.
O desenvolvimento institucional - novamente restrito às instituições vinculadas à Epistemologia Convergente, começou em 1977 com a criação do Centro de Estudos Psicopedagógicos em Buenos Aires. Neste, se organizaram quatro departamentos: docência, assistência, investigação e publicações. Cada um dos quais alcançou distintos graus de desenvolvimento em função de diferentes fatores internos e externos. O departamento que mais se desenvolveu foi o de docência, logo em seguida o de assistência e finalmente os de publicações e investigações.
O departamento de docência dedicado à formação de pós-graduação oferece esta formação a todo graduado em pedagogia, psicologia, fonoaudiologia, medicina, etc. e também a psicopedagogos que se interessam pela linha teórico-técnica deste Centro de Estudos Psicopedagógicos. Os três anos de formação - 1) teoria e técnica psicopedagógica, 2) contribuições da escola psicanalítica e de Genebra e 3) prática assistencial: diagnóstico e tratamento - são trabalhados com uma exposição teórica que serve de disparador e grupo operativo e/ou dramatizações. Também oferece a formação em núcleos, no interior do país e se fundaram Centros de Estudos no Brasil, que seguem a linha do Centro de Estudos Psicopedagógicos de Buenos Aires.
O Departamento de Assistência adotou ao longo destes anos, três modalidades: assistência individual, assistência grupal e assessoramento. As duas primeiras além de terem sido implementadas na sede do Centro de Estudos Psicopedagógicos, também foram levadas a cabo em hospitais: Centro de Saúde Mental de La Matanza, Hospital Ramos Mejía, Hospital Infanto Juvenil Dra. Carolina Tobar García e a nível de assessoramento na direção de Inovações Educativas da Secretaria de Educação da Municipalidade de Buenos Aires.
Em 1982, logo depois de alguns cursos, tanto de psicopedagogia, como de grupo operativo, se fundou o Centro de Estudos Psicopedagógicos do Rio de Janeiro - CEPERJ, posteriormente em 1988 o CEP - Curitiba, em 1992 o CEP Salvador e recentemente foi solicitada e concedida a permissão para criar o Centro de Estudos Psicopedagógicos de Belo Horizonte, em Minas Gerais.
Cabe mencionar que tanto na Argentina como no Brasil algumas tentativas de criar outros Centros, um na Argentina e dois no Brasil se frustraram.
O Departamento de Publicações em 1981 em combinação com o Departamento de Docência, convidou a Dra. Elsa Schmid-Kitsikis, titular da Cátedra de Clínica da Universidade de Genebra para que nos visitasse na Sede de Buenos Aires , onde proferiu seminários, conferências e realizou supervisões. Também deve-se dizer que o Departamento de Publicações produz cadernos, traduz artigos e elaborou publicações.
OS CAMINHOS
O fazer da Psicopedagogia no terceiro milênio - também visto na perspectiva da Epistemologia Convergente - traz conjuntamente dois dasafios principais e indissociáveis: aperfeiçoar os resultados alcançados e abordar as eventuais provocações do futuro.
O aperfeiçoamento dos resultados alcançados pode ser generalizado sob a idéia de uma definição mais inclusiva e profunda do objeto de estudo da psicopedagogia, vale dizer, da aprendizagem e dos recursos diagnósticos, preventivos e assistenciais utilizados nas quatro unidades de análises, já mencionadas.
Mesmo que os resultados pré-citados, tragam uma clara dedicação ao sujeito individual, nos quais se privilegiam os aspectos cognitivos e afetivos (como construções sociais), acho indispensável levar a cabo investigações clínicas e experimentais, que aprofundem mais especificamente esta interação em situações de aprendizagem.
Até agora foram estudados três fenômenos: os da dimensão cognitiva, os da dimensão afetiva e os da interação entre ambos.


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v1.gif (512 bytes) mecanismos de objeto aglutinado
v2.gif (545 bytes) mecanismos de objeto parcial
v3.gif (560 bytes) mecanismos de objeto total
int-1dim.gif (938 bytes) interação numa dimensão 
v4.gif (535 bytes) mecanismos de insensivilidade
v5.gif (546 bytes) mecanismos de disociação
v6.gif (564 bytes) mecanismos de integração
int-dim.gif (932 bytes) interação entre dimensões
masc.gif (1055 bytes) posição masculina (conteúdo)
fem.gif (1037 bytes) posição femenina (continente)

O que falta estudar é a influência que a aprendizagem produz em ambas as dimensões e na interação, o qual poderia ser apresentado como o gráfico que se segue:

visca-graf2.gif (12971 bytes)
Também é necessário aprofundar-se nos conceitos de aprendizagem grupal, institucional e comunitária. Indivíduo, grupo, instituição e comunidade são, sem dúvida alguma, organismos vivos que aprendem.
UNIDADES DE ANÁLISE


visca-graf3.gif (8597 bytes)
Sendo que cada uma delas influi na precedente, condicionando-a.
Influência de umas unidades sobre as outras 


visca-graf4.gif (9580 bytes)
Também se conhecem, até certo ponto, os elementos constitutivos de cada unidade e sua interação dentro da unidade. Contudo, estes conhecimentos não bastam.
Os elementos constitutivos de cada unidade são:


Indivíduo visca-graf6.gif (2195 bytes) Aprendizagem
intra-psíquica
Grupo visca-graf7.gif (2681 bytes) Aprendizagem
intra-grupal
Instituição visca-graf8.gif (2564 bytes) Aprendizagem
institucional
Comunidade visca-graf9.gif (2621 bytes) Aprendizagem
comunitária
Assim mesmo, cabe mencionar que muito provavelmente a psicopedagogia deva incorporar ao estudo dos mecanismos de aprendizagem uma nova e quinta unidade de análise: "a cultura". Embora as unidades de análise, comunidade e cultura pareçam confundir-se e não seja fácil realizar uma clara distinção entre ambas, seguindo o critério de maior inclusão, anteriormente utilizado, pode-se dizer:
1° Que as culturas contem em seu seio comunidades.
2° Que uma cultura possui um conjunto de valores e respostas compartilhadas.
3° Que a interação entre culturas produz fenômenos que podem alcançar um grau de estabilização ou não.
Entre tais fenômenos cabe mencionar a difusão, quase no mesmo sentido da física, ou seja a integração do novo; a desintegração de uma das culturas e o estorvo cultural, uma parte da cultura evolui rapidamente e outra não.
As culturas são organismos vivos que se assemelham ao indivíduo mas com uma maior complexidade que se poderia bem dizer é de 5a. potência ( indivíduo, 1a. potência; grupo, 2a. potência; instituição, 3a. potência; comunidade, 4a. potência e cultura, 5a. potência) e ao mesmo tempo é a mais inclusiva.


visca-graf5.gif (4816 bytes)
As culturas, como o indivíduo, para sobreviverem se abrem e se fecham ante os estímulos do meio, ou seja, podem crescer, deter-se, desintegrar-se e apresentar decalagens em sua configuração.
Sem lugar a dúvidas, no momento atual, em função dos avanços tecnológicos que facilitam a comunicação, esta unidade de análise adquire uma relevância fundamental, pois ao mesmo tempo que encerra a série das cinco unidades, se reverte sobre cada uma e sobre o indivíduo muito especialmente, fazendo que nele se introduza um conjunto de valores e condutas.
Justamente o governo da Cidade de Buenos Aires e UNICEF-Argentina implementaram conjuntamente, em 26 de outubro uma experiência com crianças e jovens de 8 a 17 anos que se encontra a meio cominho entre os níveis: unidade de análise comunidade e unidade de análise cultura.
Esta experiência denominada "Todos votam e eu também" consiste em consultar a opinião dos jovens coincidentemente com a data dos comícios para legisladores da Cidade de Buenos Aires; ao mesmo tempo que se os exercita na aprendizagem da participação e expressão democrática de suas opiniões.
Cabe mencionar que este estudo é o terceiro que se leva a cabo na América; mas o mesmo tem uma diferença em relação aos anteriores, o qual consiste em que as questões foram formuladas por crianças e jovens e não por adultos.
Esta experiência não só envolve a comunidade como também a cultura, já que pretende modificar de forma operacional a concepção de que os adultos tem razão e as crianças e jovens não.
O estudo das culturas como unidade de análise exige que o psicopedagogo realize um trabalho em equipe com o sociólogo, psicólogo social, o antropólogo e historiador, sem perda de seu objeto de estudo: a aprendizagem
De outra forma, mas não totalmente desvinculado ao que se acaba de dizer, é importante, que num futuro próximo, se aprofunde de um ponto de vista concreto, prático e técnico, a psicopedagogia institucional em suas modalidades: a psicopedagogia "na instituição" e a psicopedagogia "da instituição". Enquanto a primeira se aproxima da prática do consultório; a segunda se introduz na instituição como totalidade. Enquanto a primeira permite entre outras coisas, que as pessoas sejam incorporadas em um nível institucional - fábrica, escola, oficina, etc. - adequado às suas possibilidades, a segunda facilita o desenvolvimento da aprendizagem da instituição.
Aqui também, cabe expressar o anseio de que a falsa antinomia do sociologismo e o psicologismo deixe de ser uma resistência e se transforme em opostos complementares.
Outro caminho que deverá ser transitado no próximo milênio é o da investigação em psicopedagogia. As pesquisas psicopedagógicas são essenciais para o progresso desta área do conhecimento, tanto desde o ponto de vista teórico como técnico. As ciências que não realizam investigações são as que menos progridem. Muito provavelmente pela juventude da psicopedagogia não há um número necessário de investigações de caráter estritamente psicopedagógico. Os estudos futuros necessariamente facilitarão a distinção do objeto de estudo da psicopedagogia dos objetos de estudo da psicologia e da pedagogia; e ao mesmo tempo a complementaridade destas três áreas do conhecimento.
Por último e para encerrar esta exposição direi que outra meta da psicopedagogia em geral e da Epistemologia Convergente em particular é a de fundar Núcleos de assistência, docência e investigação que socializem, democratizem e humanizem o nosso fazer psicopedagógico.


Jorge Visca é formado em Ciências da Educação na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires e Psicologia Social na Primera Escuela Privada de Psicología Social. Fundou o Centro de Estudos Psicopedagógicos na cidade de Buenos Aires e os centros de estudos Psicopedagógicos do Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador no Brasil. Vem desempenhando como docente de Pós-Graduação na Universidade de Buenos Aires e Universidades Brasileiras na especialilização da Psicopedagogia. Realizou numerosas publicações em seu país e no estrangeiro e participou de congressos internacionais representando a Argentina. Participando como membro para eleição de docentes em diversas Universidades. Dirige estudos e investigações em Educação e Psicopedagogia. E ainda é professor convidado de várias Universidades Brasileiras. 


 http://hermes.ucs.br/ccha/deps/cbvalent/teorias/textos/psico-milenio.htm